Urgentemente Urgente

Outro dia cheguei ao trabalho, peguei uma deliciosa xícara de café e fui à minha mesa.

Sentei confortavelmente na frente do computador e, como num ritual inicial de harmonização, abri minha caixa de e-mails.

Até este momento, tudo estava perfeito. Olhei os títulos dos e-mails não lidos para identificar spams e, de repente, deparei-me com a palavra URGENTE.

- Nossa, um título escrito Urgente. Ou é virus ou é alguém pedindo ajuda. Abri o e-mail rapidamente e vi que era um remetente conhecido.

Minha atenção estava totalmente voltada para o que poderia vir. Um clímax de filme hollywoodiano surgiu, coloquei a mão no bolso procurando a chave da moto, caso precisasse sair correndo e, ao mesmo tempo comecei a ler o e-mail.

 ”Por favor. Você pode solicitar algumas fotocópias para sábado?”  Esta mensagem foi uma bigorna na minha cabeça. Urgente?! Que nada! Ainda estávamos na terça-feira!  Eu estava com taquicardia e não havia urgência alguma. A única coisa que existiu foi uma necessidade idiota de achar que as solicitações próprias estão acima de qualquer outra.

De lá pra cá isso começou a virar moda:

- Título: Urgente.   Corpo do e-mail: é preciso comprar canetas.

- Título: Urgentíssimo. Corpo do e-mail: meu teclado está com problemas na tecla F11. (e a pessoa nem usa a tecla F11)

- Título: Urgente Total. Corpo do e-mail: Quem são os aniversariantes de setembro?

Agora mesmo recebi um recado escrito à mão pela secretária:  “Fernanda da empresa ” tal”  ligou e pediu para você entrar em contato urgente com ela!”   Rapidamente peguei o telefone e, adivinha qual era a emergência?

Um e-mail que ela tinha me enviado voltou.